Chuva reacende esperança de sucesso na produção agrícola

O olhar fixo de Ana Sumbana sobre o pepino tirado da sua machamba é reflexo do alívio de quem lançou semente à terra mas tinha perdido a esperança de grandes resultados produtivos. É que, enquanto a chuva inunda casas e deixa estradas intransitáveis nas zonas urbanas de Maputo e Matola, no distrito de Boane renasce a esperança de boa produção de comida.
“O País” visitou, esta quinta-feira, o bairro Marconi, no distrito de Boane, e encontrou dona Ana cuidando da plantação de um hectare de pepino semeado há um mês e meio. A chuva dos últimos dias é motivo de felicidade, pois, quando não chove, a água do rio Moveni, usado para irrigação, fica salobra. Segundo ela, desde o início da estiagem, aquele curso de água nunca secou, entretanto, sem chuva, faz mal à produção.
“O rio tem muitos problemas quando não chove, porque fica salobre. Algumas culturas não aguentam e secam. Mas quando chove, a água permanece doce e fica tudo bem com as culturas”, explica.
Aliás, quando chove com regularidade, no espaço de um hectare, consegue produzir entre 35 e 40 toneladas de pepino, vendido nos mercados locais e no mercado grossista do Zimpeto, um dos principais pontos existentes na cidade de Maputo para a compra de produtos frescos.
Mas porque tudo em excesso faz mal, Ana Sumbana diz que nem tudo vai bem com a chuva dos últimos dias. É que por vezes chove em demasiado e hortícolas como pepino não desenvolvem em terrenos alagados. Detalha que “outras plantas aqui na machamba acabam por secar, porque, quando chove em excesso e também regamos, as culturas secam”. A agricultora tem um total de 12 hectares de terra, onde, além de pepino, produz pimento, tomate, piripiri, entre outros produtos.
Avelina Sumbana também viu a produção prejudicada pela seca. Conta que, várias vezes, recebeu propostas para fornecer produtos a supermercados da província, mas a falta de chuva não garantia boa produção.
“Queriam que fizéssemos contrato para que eu fornecesse tomate, repolho e pepino. Eu devia fornecer cinco toneladas de cada produto, de duas em duas semanas, mas acabámos por não fechar, porque, com a estiagem, não iríamos conseguir dar conta”, explica.
Com chuva regular, nos dois hectares onde produz repolho, consegue 120 toneladas. Entretanto, como escasseou precipitação, não alcançou as metas. Entretanto, a chuva corrente reacendeu a esperança. “A chuva está a cair e está a mudar a antiga água salobra. Agora, prevemos a chegada de melhores dias de produção. Também, por outro lado, daqui a pouco estará a chegar o inverno, que é óptimo para o trabalho, pois as pragas diminuem”, refere.
No geral, o distrito de Boane prevê produzir 292 toneladas de produtos diversos na época agrícola 2017/2018.
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Jornal O Pais, Quinta-Feira, 22 de Fevereiro de 2018

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